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Moda Afro ganha o mundo: coleção produzida em Januária (MG) veste chefs da Cozinha Show na COP 30

publicado: 19/11/2025 15h38, última modificação: 19/11/2025 15h38

Moda afroUma coleção de vestuário gastronômico produzida pela Associação Comunitária de Riacho da Cruz — comunidade remanescente quilombola do município de Januária (MG) —, em parceria com a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), passou a vestir chefs e equipes da Cozinha Show, espaço que apresenta receitas ancestrais durante a 30ª Conferência das Partes da ONU sobre Mudança do Clima (COP 30).

A iniciativa beneficiou costureiras do Arranjo Produtivo Local (APL) de Moda desenvolvido pela Companhia, que atua desde 2013 em parceria com a Associação. O trabalho fortalece a geração de renda, estimula a profissionalização e valoriza os saberes tradicionais presentes na comunidade.

Para as famílias envolvidas, a iniciativa representa não apenas reconhecimento cultural em uma vitrine internacional, mas também novas oportunidades econômicas. O APL de Moda da 1ª Superintendência Regional da Codevasf tem ampliado o acesso ao mercado, reforçado a autonomia produtiva e contribuído para a preservação das tradições que marcam a história da região.

Moda afro 2Para o superintendente regional da Codevasf em Minas Gerais, Romeu Souto, a coleção desenvolvida em Riacho da Cruz mostra como políticas públicas bem estruturadas podem transformar realidades locais. “O APL de Moda tem fortalecido a autonomia produtiva da comunidade e ampliado seu acesso ao mercado. Ver esse trabalho representando o Brasil na COP 30 reforça nosso compromisso com iniciativas que unem geração de renda, inclusão social e valorização cultural”, acrescentou Souto.

A criação da coleção foi solicitada pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), por meio da Secretaria de Territórios e Sistemas Produtivos Quilombolas e Tradicionais (SETEQ/MDA), para compor a identidade visual da Cozinha Show: receitas ancestrais “saberes e fazeres de povos e comunidades tradicionais do Brasil”.

O espaço é dedicado a compartilhar a culinária de povos e comunidades tradicionais (PCT) de diversas regiões do país, destacando práticas culturais, tecnologias sociais e ingredientes utilizados nos Sistemas Agrícolas Tradicionais (SAT).

Receitas de comunidades tradicionais

Os chefs de cozinha têm o desafio de criar receitas ecológicas em convergência com os saberes e fazeres tradicionais, utilizando alimentos regionais e sazonais de povos e comunidades tradicionais e da agricultura familiar.

Moda afro 3No decorrer da elaboração das receitas, será compartilhado o contexto mencionado, com a justificativa de sua criação e da intersecção com as temáticas da COP 30 e do escopo de atuação do MDA.

Além do protagonismo culinário, o vestuário também exerce papel central na afirmação cultural desses povos. Por isso, a coleção buscou representar elementos da ancestralidade quilombola por meio de tecidos afro, cores e símbolos que remetem à identidade coletiva da comunidade de Riacho da Cruz.

Mês da Consciência Negra

Novembro é reconhecido, em âmbito nacional, como o Mês da Consciência Negra. O dia 20 de novembro, instituído pela Lei nº 12.519, de 10 de novembro de 2011, como Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra e declarado feriado nacional pela Lei nº 14.759, de 21 de dezembro de 2023, marca a data atribuída à morte de Zumbi dos Palmares (1695) e reforça o reconhecimento da contribuição da população negra para a história e a cultura do país e a importância do enfrentamento ao racismo.

 

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