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Primeira colheita em casa de mel rende duas toneladas e impulsiona apicultura no PI

publicado: 14/04/2026 16h08, última modificação: 14/04/2026 16h08

A apicultura de Buriti dos Montes (PI) avança com mais estrutura, qualidade e perspectivas de mercado após a primeira colheita realizada na casa de mel em contêiner instalada na comunidade Cacimbão II. Iniciada em 31 de março e finalizada em 7 de abril de 2026, a colheita resultou na extração de aproximadamente duas toneladas de mel.

Casa de Mel em Buriti dos Montes (PI)

Com investimento total de R$ 187,8 mil, a estrutura foi entregue pela Codevasf à prefeitura em dezembro de 2025 e integra uma Unidade de Extração de Produtos de Abelha (UEPA), equipada com centrífuga elétrica, mesa desoperculadora e tanque decantador, garantindo mais eficiência e melhores condições sanitárias no processo de produção.

A iniciativa beneficia diretamente a Associação dos Trabalhadores Rurais de Cacimbão II, formada por 17 integrantes — sendo 15 apicultores e dois colaboradores — e com atuação desde 2016. O grupo reúne produtores de comunidades como Cacimbão II, Assentamento Morada Nova, Fazenda Mundo Novo e Casa de Pedra.

Segundo o presidente da associação, José Erisvaldo, conhecido como “Zé do Mel”, a nova estrutura trouxe avanços significativos para o trabalho: “Com a chegada da casa de mel, melhorou principalmente a colheita. Os equipamentos são maiores, mais eficientes, e a estrutura é bem definida, com climatização. Houve melhoria em todos os aspectos”, destacou.

Produtos apícolasO grupo já possui cerca de 750 colmeias e busca ampliar a produção, além de fortalecer a organização coletiva como estratégia de crescimento.

Melhoria nas condições de trabalho e protagonismo feminino

Além do ganho produtivo, a nova casa de mel também trouxe melhorias diretas nas condições de trabalho, especialmente para as mulheres que atuam na extração.

A apicultora Flávia Maria Campelo da Silva, com 10 anos de experiência na atividade, destaca as mudanças no dia a dia. “Melhorou muito. Antes, a gente só podia trabalhar à noite por causa das abelhas. Agora, com a estrutura adequada, conseguimos trabalhar durante o dia. A mesa é maior, a centrífuga é elétrica e tudo ficou mais rápido”, relatou.

Ela também ressalta o impacto da estrutura no conforto e na produtividade. “O ambiente está melhor, mais organizado e com climatização. Isso facilita muito o nosso trabalho”, afirmou.

Comercialização e geração de renda

Com a nova estrutura, os produtores também ampliam suas perspectivas de mercado. Atualmente, o grupo já possui aprovação para o selo de inspeção municipal e trabalha para conquistar certificações em nível estadual, o que permitirá acessar mercados mais rentáveis.

A comercialização institucional, especialmente por meio de programas governamentais, é uma das principais metas, por garantir maior valorização do produto.

O mel é comercializado em diferentes formatos, como a granel, em garrafas, em favo e em sachê. O preço médio do produto vendido a granel gira em torno de R$ 15 por quilo, podendo alcançar valores mais elevados nas vendas diretas ao consumidor, a depender da forma de apresentação.

Perspectivas de crescimento

Com a estrutura em funcionamento e a recente adesivação institucional realizada em 9 de abril de 2026, a expectativa é de expansão da atividade e inclusão de novos produtores.“O nosso objetivo é aumentar a produção, buscar certificação e acessar mercados que paguem melhor. Isso vai gerar mais renda e atrair mais apicultores para o grupo”, afirmou Zé do Mel.